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MÉDICO É INDICIADO POR HOMICÍDIO DOLOSO POR ACIDENTE QUE MATOU 1 PESSOA NA BR-153. A VÍTIMA VIAJAVA PARA CONHECER FILHA

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Acidente foi em Imbituva; veículo de vítima estava parado por obras e foi arremessado contra caminhão após médico não frear. Polícia afirma haver indícios de que ele dirigia bêbado.

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu o inquérito policial que investigava o acidente de trânsito ocorrido no dia 14 de março de 2023, na BR 153 em Imbituva. O médico foi preso durante atendimento médico após o acidente.

A batida aconteceu quando o carro da vítima estava parado na rodovia por conta de obras em um trecho de pare e siga.O médico não freou e, ao atingir a traseira do veículo, arremessou o carro do jovem de 26 anos contra um caminhão. A vítima viajava para conhecer a filha recém nascida, mas morreu no local.

Durante as diligências foram realizadas oitivas de testemunhas, analisadas imagens de câmeras de monitoramento e realizadas perícias junto ao Instituto de Criminalística.

“O motorista demonstrou sinais de embriaguez enquanto dirigia. Durante as investigações, descobrimos que a vítima estava indo para o hospital conhecer a filha recém-nascida”, explica o delegado da PCPR Thiago Andrade. 

Patrick de Camargo Dutra, 25 anos, estava indo para o hospital conhecer a filha recém-nascida

Conforme o delegado Thiago Andrade, no local do acidente não foram encontrados sinais de frenagem. No indiciamento também foi ressaltada a característica “praticamente reta” da pista no local – o que permitia a visualização da fila pelo médico. A polícia também considerou o depoimento de testemunhas, que relataram o fato de latinhas de cerveja serem encontradas dentro do carro.

Agora, o Ministério Público do Paraná decide se vai oferecer denúncia contra o médico. Em caso de acusação e condenação por homicídio doloso, a pena pode pegar de 6 a 20 anos de reclusão. Após decisão da Justiça, o motorista passou a responder o processo em liberdade.

A vítima estava parada com o freio de mão acionado em uma fila de engarrafamento na estrada de Imbituva para Irati. Após alguns minutos, o suspeito, em alta velocidade, atingiu o veículo da vítima que o arremessou contra um caminhão.

Depoimento de testemunhas

Conforme o delegado, uma testemunha relatou à polícia que era costume do médico sair do trabalho e ingerir bebida alcoólica dentro do carro antes de viajar.

Outra pessoa afirmou que conversou com o indiciado momentos antes do acidente. Durante a conversa, percebeu que ele estava alterado e chegou a pedir que ele não fosse para a rodovia e descansasse em Imbituva. O médico não quis ficar e saiu com destino a Irati, no trajeto, aconteceu o acidente.

O motorista se recusou a fazer teste do bafômetro, mas teve a suspeita de embriaguez ressaltada por policiais rodoviárias federais. No hospital, ele também se negou a fazer exame de sangue.

A polícia suspeita que a atitude tenha sido tomada com base em conhecimentos médicos para não comprovar a embriaguez ao volante.

Liliana Freitas Pontes, 25 anos, falou sobre o convívio com o marido Patrick, morto em um acidente na BR-153 no dia 14 de março. Foto: Mairon Alessi Vieira

Viúva relata como era o convívio com o falecimento do marido

Liliana Freitas Pontes, de 25 anos, era esposa de Patrick de Camargo Dutra, que faleceu em um acidente na rodovia no dia 14 de março.

A auxiliar de produção Liliana Freitas Pontes, de 25 anos, vem sofrendo muito após a perda do marido Patrick de Camargo Dutra. O jovem faleceu aos 25 anos em um engavetamento envolvendo dois carros e um caminhão na BR-153, no trecho entre Imbituva e Irati, no dia 14 de março.

Em conversa com a reportagem da Najuá, ela relatou as dificuldades que vem sentindo desde o dia do acidente. O casal estava junto há quatro anos. Inicialmente, Liliana contou que, um dia antes do acidente, Patrick viu o nascimento da filha do casal, na maternidade da Santa Casa de Irati.

Liliana diz que a informação sobre a morte do marido foi um “choque” e que já estava nervosa porque a bebê havia sido levada para a UTI Neonatal. “Eu fiquei sabendo por volta das 18 horas pelo meu cunhado. Foi quando eu consegui conversar com eles, que me passaram a informação. Foi um choque grande porque eu já estava nervosa, a bebê precisou ficar na UTI, foi um choque enorme, pois eu não esperava isso”, contou.

Relacionamento

Liliana contou como foi o relacionamento do casal nos últimos 4 anos. “Nós sempre nos demos super bem, era um relacionamento bom, com a família nós também nos damos bem, não tenho do que reclamar, não tenho palavras para descrever. Ele era incrível, não tenho muito o que dizer, pois todas as qualidades ele tinha, o que podia, fazia e o que não podia tentava. Ele era incrível de todas as formas e super batalhador”, comentou.

Liliana e Patrick se conheceram na empresa onde trabalhavam. A esposa conta que ficou abalada com a morte do marido. “Está bem difícil, estamos vivendo um dia de cada vez. O que está me reerguendo é ela (filha), mas está complicado. Até agora não consegui pensar e me administrar sobre o que fazer da vida”, lamentou.

Orientação e apoio

Liliana foi orientada a fazer acompanhamento com um psicólogo do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) de Imbituva, e está aguardando uma vaga para receber atendimento. Já os pais de Patrick ainda não conseguem falar sobre o assunto, mas estão dando o apoio necessário para a nora e a neta. A jovem conta também com apoio de sua mãe, que acolheu a filha e a neta em sua residência.

“Estou na casa da minha mãe até eu me organizar, pois não consegui ainda ficar em casa sozinha. Como está recente, eu ainda estou tentando me acostumar a ficar sem ele. Nós estávamos construindo nossa casa e tínhamos muitos sonhos pela frente. É muito difícil, não tem como descrever os sentimentos da gente, é muito complicado”, comentou.

Durante o período de licença-maternidade, Liliana continua recebendo auxílio-maternidade e está recebendo todo o apoio necessário da mãe e dos sogros. Para ela, a união da família é muito importante e a bebê fortaleceu ainda mais os laços familiares. “Nós já éramos bem unidos e apegados, mas agora ficou bem mais forte, a bebê nos uniu bastante”, finalizou.

FONTES/FOTOS: Najuá – Irati / G1 / NH NOTÍCIAS

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