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Alesc debate construção de ponte entre Porto União e Irineópolis

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A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) realizou, por meio da Comissão de Transportes, Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura, na noite desta segunda-feira, 17, audiência pública para discutir a viabilidade e a necessidade da construção de uma ponte ligando os municípios de Porto União e Irineópolis, uma obra aguardada há décadas pela população local.

A iniciativa partiu do deputado Sargento Lima (PL), com apelo de lideranças comunitárias do distrito de Santa Cruz do Timbó, em Porto União, e de Vila Nova, em Irineópolis, que mobilizaram moradores, produtores rurais e entidades regionais para fortalecer o pedido. O debate ocorreu no distrito de Santa Cruz do Timbó e reuniu mais de 500 pessoas.

Relevância econômica e social da obra

Durante a audiência, foram apresentados dados que reforçam a relevância econômica e social da nova ponte. Hoje, o deslocamento entre os municípios naquela região é feito por meio de uma balsa. Estima-se que, atualmente, a balsa seja utilizada por 20 veículos, podendo alcançar um tráfego, com a construção da ponte, de mais de 200 veículos diários.

O deputado propositor da audiência, Sargento Lima, ressaltou a importância da obra.

“Precisamos destacar alguns dados técnicos que são relevantes, como, por exemplo, se considerarmos que uma hora a máquina parada hoje de um caminhão — não estou falando de um nove eixos, mas sim de um caminhão normal — custa cerca de R$ 117 por hora parada. Então, quando o caminhão fica parado aguardando para fazer uma transposição, é sinônimo de dinheiro perdido. A nossa intenção é fazer um corredor econômico entre essas duas cidades, melhorando o escoamento da produção e, consequentemente, a economia não apenas local, mas regional.”

A região de Santa Cruz do Timbó, em Porto União, e de Vila Nova, em Irineópolis, concentra um dos maiores polos de produção agropecuária do Planalto Norte, com destaque para agricultura familiar, pecuária leiteira e silvicultura.

Segundo estimativas municipais, famílias utilizam diariamente as rotas entre Porto União e Irineópolis para acesso a serviços de saúde, educação, comércio, transporte escolar e escoamento de produção.

Impacto na logística e produção rural

O empresário local de Santa Cruz do Timbó, Evandro Schimidt, que há 25 anos empreende no distrito, afirma que o escoamento da produção está prejudicado. “A gente sofre muito com essa balsa. Em dias de muita chuva não podemos usar, às vezes a Marinha põe empecilhos, e os horários de travessia também são limitados. Por isso esperamos tanto por essa obra. Será mais gente vindo para o nosso comércio”, destacou.

Schimidt lembra ainda que a legislação proíbe o tráfego de máquinas agrícolas nas BRs. “Nossos agricultores sofrem bastante com a passagem de tratores e colheitadeiras, que não podem andar no asfalto. Então, tendo essa ponte, vai facilitar muito a vida de todos, além de melhorar a nossa economia.

A ausência de uma ligação direta entre os dois municípios também impacta o desenvolvimento regional. A obra reduzirá em até 30 quilômetros o trajeto entre as comunidades, podendo diminuir entre 15% e 20% o custo operacional do setor agrícola local.

“Estamos aqui discutindo a criação da ponte que há mais de 50 anos é tão almejada. Queremos trazer dignidade para a população, qualidade de vida, fomentar o turismo, melhorar a economia. Nossa produção agrícola escoa por aqui, a nossa bacia leiteira utiliza muito essa rota, dando vazão à produção e, lamentavelmente, hoje em dia os agricultores estão sendo multados, pois precisam rodar com seus maquinários pela rodovia federal em virtude dessa falta de acesso”, comentou o prefeito de Porto União, Juliano Hassan (PL).

Ao ser questionado sobre as melhorias que a comunidade receberá com a construção da ponte, o balseiro Eusébio Kuhler não esconde a alegria em imaginar a obra executada e reforça a necessidade do acesso. “Estou há 15 anos trabalhando aqui no Rio Timbó, fazendo a travessia, que é puxada no braço mesmo. Todos os dias levo de um lado para o outro trator, colheitadeira, plantadeira e carro pequeno. Caminhão até não passa muito porque não pode muito peso. Então, a ponte é uma realidade muito esperada por todo mundo da comunidade”, enfatizou.

Impasse sobre a localização da obra

Durante a audiência pública, um impasse foi debatido: a localização para a construção da ponte que liga os municípios de Porto União e Irineópolis.

Hoje, além da balsa que faz a travessia entre as comunidades tema do debate, os municípios contam ainda com a balsa que liga as comunidades de São Pedro do Timbó, em Porto União, a Bela Vista, em Irineópolis. O debate sobre a localização da obra foi levantado pelo prefeito da cidade de Irineópolis, Juliano Pozzi Pereira (PSDB). Ele defende a construção da ponte de forma que atenda ambas as comunidades.

“Tanto para o município de Irineópolis quanto para Porto União, substituir as duas balsas que hoje fazem a travessia na divisa dos dois municípios é algo muito importante. Vivemos em um sistema muito arcaico, ter que esperar por uma balsa que faz a travessia por tração mecânica e que muitas vezes não está operando. Isso causa muitos problemas à população, tanto de um lado quanto de outro. Mas, na minha visão, essa ponte tem que sair desde que atenda a todas as comunidades, e não somente a uma”, comentou o prefeito.

Ao final da audiência pública, o deputado Sargento Lima colocou, de forma verbal, em votação pelos participantes o local ideal para a construção da ponte. Com a maioria dos votos, a população presente optou pela obra na comunidade sede da audiência, Santa Cruz do Timbó, ligando à Vila Nova.

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